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Entrevista: Autopsia, do Hip Hop ao Bomb

24 de novembro de 2016

Quando a gente fala de arte de rua, além dos murais mais clássicos, a gente também se amarra no bomb. E um dos grupos que mais representam o estilo em São Paulo é o Autopsia.

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Para escrever este post, trocamos uma ideia com o Snk, um dos membros do Autopsia, que está no grupo desde 2013. Ele falou sobre como começou a fazer bomb, a mensagem por trás do seu trampo, entre várias outras coisas.

Confira só a entrevista completa:

 

Dionisio Arte: Quando e por que você começou a grafitar?

Snk: Sempre gostei muito de desenhar, desde criança. Aos poucos, fui observando a pichação / graffiti da cidade e fui sugado para dentro deste mundo. Acredito que, de certa forma, sempre me identifiquei com a cultura hip-hop, mesmo antes de pintar.

Comecei em 2012 assinando como Sonek, que é meu apelido. Em 2013, comecei a fazer o Autopsia e, em 2015, comecei a fazer bomb levando o nome do meu picho.

De lá pra cá, minha vida mudou completamente e tem sido uma grande diversão e motivação.

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DA: Tem alguma mensagem que você quer passar por trás da sua arte?

Snk: Sim! Quero comunicar todas as pessoas do mundo de que elas são livres e que a cidade, na realidade, é de quem vive nela, e não das empresas que a exploram.

A repressão que vivemos é financeira. Um publicitário pode comprar todos os espaços de publicidade de SP como metrô, pontos de ônibus, relógios, etc… e passar a mensagem que quiser para a população, independente de o produto ser bom ou horrível (como o McDonald’s, por exemplo).

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DA: Quais as suas principais influências?

Snk: As pessoas que mais me influenciam são as próximas de mim: Carol, Ufo, Klesk, Mudo, Skola, Gueto, Nojon, Poizé, Nino, Corró. Além, é claro, de todos do VLOK (que conta com vários mitos como o ISE) e d’OSGEMEOS, que são referência para qualquer um que seja inteligente e observador.

 

DA: Da onde surgiu o nome Autopsia?

Snk: Autopsia é o nome da minha turma. Ela foi fundada em 93, em Barueri, e já teve diversos integrantes no decorrer da história. Eu me considero o 7º integrante.

Os dois principais personagens do Autopsia são o Sério (que criou o picho em 1993) e o André, que também entrou nos anos 90, e foi quem acreditou em mim e me colocou na turma, em 2013. Ambos são muito respeitados e são referência do picho da Zona Oeste de SP.

Tenho muito orgulho de fazer parte desta turma e levarei isso comigo o resto da vida.

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DA: Você faz parte de alguma crew?

Snk: Sim, faço parte de duas. São elas:

VA. (Vandaliens) composta por: Ufo, Mudo, Klesk, Nojon, Rato, Sujo, Skolas e eu.

RVS. composta por Poizé, Nino, Corró, Carol e eu (acredito que tenha mais integrantes antigos que eu não saiba).

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DA: Fala um pouco do seu processo criativo. O que te inspira para mandar sua arte nas ruas?

Snk: Eu tento rabiscar diariamente e, aos poucos, ir adquirindo um estilo próprio.

Como no bomb existem alguns padrões já pré-estabelecidos em termos de fonte, eu levo como um grande desafio de vida conseguir evoluir e dar uma cara própria para o role.

 

DA: Você manda só bomb ou faz mural também?

Snk: Eu ainda preciso estudar muito pra fazer outra coisa. Às vezes, gosto de desenhar as letras dentro de um cenário específico.

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DA: Vi que você fez umas pichações também. Continua fazendo ou agora foca só nos bombs mesmo?

Snk: Nunca irei parar de pichar (risos).

Gosto de pensar o seguinte: Todo grafiteiro tem a sua tag. A minha tag é o meu picho.

 

DA: Já passou algum perrengue pintando na rua?

Snk: Já, mas quando era mais ingênuo (risos).

A policia já fez eu pintar minha cara e etc… Eu encaro estas coisas como testes para ver quem gosta de verdade do role.

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DA: Deixa uma mensagem para quem está conhecendo o trampo do Autopsia agora.

Snk: Muito obrigado pelo convite. Minha única mensagem à vocês é para procurarem saber um pouco mais sobre a história do hip-hop. O graffiti é um dos elementos desta cultura e, por mais que o tempo passe e as coisas evoluam para lados diferentes, essa essência nunca se perderá.

A questão é as pessoas que se identificam com a cultura. Então, é importante estudar a história para poder entender o contexto atual. Muita gente acha que hip-hop é fazer cara de mal, usar corrente e boné e fumar maconha. Hip-hop é paz, amor, unidade e se divertir (Peace, Love, Unity and Having Fun).

Fiquem com Deus e viva o hip-hop!

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