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Quadrinhos

18+ Os Quadrinhos Eróticos de Carlos Zéfiro

21 de outubro de 2016

Os quadrinhos eróticos de Carlos Zéfiro fizeram a alegria da molecada nas décadas de 1950, 60 e 70. Conheça mais sobre o trampo desse clássico nacional proibido para menores de 18 anos.

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Alcides Aguiar Caminha era funcionário público do setor de imigração do Ministério do Trabalho no Rio de Janeiro, casado e pai de 5 filhos.

Assim como muitas famílias na época da ditadura, ele teve uma vida dura com muitas privações e foi por trás do seu pseudônimo, Carlos Zéfiro, que conseguia fazer uma graninha extra. Foi assim, praticamente “sem querer”, que ele entrou para história como o precursor dos quadrinhos eróticos no Brasil.

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Do final dos anos 50 até os anos 70, as revistas do Carlos Zéfiro circularam em todo o Brasil de forma clandestina (para ler com uma mão só), de Carlos Zéfiro.

Durante mais de 30 anos, ele criou as revistinhas de sacanagem em segredo e, curiosamente, elas eram conhecidas em São Paulo como “catecismos”, sendo que eram vendidas e distribuídas pelas bancas dentro de publicações religiosas.

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Esta necessidade de manter seu nome em segredo se deu em função da Lei 7967 que regia o funcionalismo público. Ou seja, caso o autor das publicações fosse pego, seus quadrinhos seriam considerados um escândalo e a pessoa perderia o emprego.

Mas mesmo após a lei ter sido anulada, Alcides manteve o segredo para não provocar situações indesejadas. Somente após Eduardo Barbosa, um quadrinista baiano, se declarar como o verdadeiro Carlos Zéfiro, Alcides entrou em cena e foi tema de uma matéria para a Revista Playboy, onde revelou toda a verdade.

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A ideia de criar essas revistinhas eróticas surgiu depois que Carlos Zéfiro recebeu um pedido de um colega para ampliar os desenhos contidos em duas revistinhas italianas do mesmo gênero.

Dali em diante, Carlos Zéfiro resolveu começar a criar suas próprias histórias e desenhos. O ilustrador tirava inspirações de quadrinhos mexicanos e de fotonovelas pornográficas de origem sueca.

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Carlos Zéfiro nunca tinha estudado desenho. Na verdade, naquela época, ele não havia chegado nem a completar o segundo grau, algo que foi conquistar somente aos 58 anos de idade.

Sua rotina de ilustrações era desenhar durante à noite, após sua mulher pegar no sono. Para garantir que não seria “pego no flagrante”, Carlos Zéfiro desenhava dentro de um roupeiro velho que ficava no seu quarto.

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Os “catecismos” de Carlos Zéfiro ganharam popularidade e se tornaram um gênero. Ou seja, a categoria dos quadrinhos eróticos ganhou esse “apelido”. Agora, diferentemente de muito do que era lançado dentro gênero erótico, o quadrinista carioca trabalhava com histórias interessantes, que tinham começo, meio e fim.

Carlos Zéfiro gostava de criar um envolvimento, e criar enredos que envolviam romance e sedução, e não sacanagem pura como outros quadrinistas começaram a fazer dos anos 70 em diante.

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Seu processo de trabalho era bem interessante, sendo que os desenhos eram feitos direto no papel vegetal para não que não houvesse a necessidade de fazer o fotolito (transparência usada no processo de produção em série). As publicações eram vendidas para diversas editoras a preço de banana.

Como já dissemos, Carlos Zéfiro não havia estudado desenho, e uma forma que encontrou para trabalhar foi copiar posições de fotonovelas e revistas eróticas no papel vegetal. Esta é a razão  dos seus quadrinhos terem diversas irregularidades entre os personagens de uma mesma história.

Nada disso importava e as criações de Carlos Zéfiro faziam a cabeça da molecada da época, que não tinha acesso a outro tipo de material.

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Carlos Zéfiro teve um papel importantíssimo nos quadrinhos nacionais e, claro, na iniciação sexual de uma geração. Seus exemplares tinham uma tiragem de aproximadamente 5 mil e geraram grandes sucessos, como “A Pagadora de Promessa” e “As Aventuras de João Cavalo”, que tiveram mais de 30 mil exemplares vendidos.

Além do mercado brasileiro, Carlos Zéfiro também criou histórias para editoras na Argentina e Uruguai, participou da primeira bienal de quadrinhos e foi premiado com o troféu HQ-MIX.

Para saber mais sobre o grande Carlos Zéfiro, acesse o site feito em sua homenagem por um fã (AQUI)!

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