Entrevista com o Grafiteiro Salmos

19/05/2016

Quando falamos da cena da arte de rua de São Paulo, um dos principais nomes que surgem é o de Salmos. O cara é uma referência do graffiti nacional e trocamos uma ideia com ele.

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Nessa entrevista, ele contou pra gente um pouco das suas origens, falou sobre a cena da arte de rua do Brasil e sua relação com o graffiti, deu detalhes sobre o seu processo criativo, entre outras coisas.

Confira esse papo bem legal, descontraído e bem humorado que a gente bateu com o mestre Salmos:

 

Dionisio Arte: Da onde você é, quais são as suas crews e por quê o nome Salmos?

Salmos: Sou de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. Faço parte da IP CREW (sigla para Inimigo Público Crew), que nasceu com os amigos Feik, Estopa e Gelo. Hoje, a crew conta com mais alguns membros.

Salmos não tem nada a ver com a Bíblia como alguns pensam. Já usei bastante isso quando fazia trabalhos comerciais em lojas. As tiazinhas gostavam do meu nome. (risos)

Salmos, na verdade, é uma sigla: S.A.L.M.O.S., que significa “sou artista livre mais ousado de SP”.

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DA: Desde quando você assina sua arte na rua? Como foi o inicio de tudo e o que te despertou o interesse pelo graffiti?

Salmos: Conheci o graffiti em 1997. Via alguns muros pelo centro e fiquei louco pra fazer também. O começo foi difícil, assim como é pra todo mundo.

Eu tinha pouca tinta, mas muita disposição. Mas foi legal… se não fosse, não estaria fazendo isso até hoje né?! (risos)

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DA: Na sua opinião, como o rolê se encontra hoje no Brasil?

Salmos: Hoje a cena tá a milhão aqui no Brasil. Não é só em São Paulo que ela é forte, mas em outros estados também.

Os espaços aqui em SP estão acabando e, logo, eu acredito que será igual na gringa, com um cobrindo a arte do outro. Espero que isso não aconteça, já que o nosso diferencial é o respeito que quase todos temos uns pelos outros. (risos)

Uma coisa que não curto muito é a divisão que tem na cena do nosso graffiti. Conversando com alguns escritores, você percebe nitidamente que a galera do bombardeio e a galera que faz produção é meio dividida e eu não acho isso legal!

Graffiti é para todos, sem diferenças! Tá na rua, é graffiti. Se eu for eleito, mudarei isso! (risos)

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DA: O que te deixa mais empolgado no graffiti?  

Salmos: Atualmente o que me deixa mais empolgado é interagir com as pessoas na rua quando estou fazendo as pinturas. Gosto da reação delas com meus personagens e piadas !

Não é da mesma forma quando estou fazendo trauape. Nesses casos, as pessoas não gostam tanto. (risos)

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DA: Qual foi o rolê que mais te representou na caminhada do graffiti e por quê?

Salmos: Cada rolê que faço me representa porque cada um é uma história diferente… cada trampo tem uma dificuldade, uma conquista , uma satisfação diferente.

Claro, alguns são mais difíceis que outros, mas cada um tem o seu valor por que é o meu rolê!

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DA: Fale um pouco do seu processo criativo. Da onde vêm essas ideias loucas de personagens dentro de letras e quais são as suas referências?

Salmos: Pô, como já falei, gosto que meus personagens e meu graffiti mexam com as pessoas.

Começou meio por acaso. Fiz um esboço de um trauape sentado no sofá. Aí olhei e imaginei os Simpsons. Nem era pro desenho ser temático, mas acabei gostando do resultado e continuei a usar temas de personagens clássicos que gosto. Minha filha também sempre me pede pra fazer alguns que ela curte. (risos)

Agora, também tô colocando algumas piadas… e assim vai indo, vamos ver como será mais pra frente.

Eu curto o trampo de mó galera… de letra, trauape e peace. Pra mim, aqui em SP o Oito80, o Finok, e o Gueto são demais nas letras. E Os Gêmeos?! Nem precisa falar nada né?! Eles são referência pro mundo inteiro. O mais da hora é que são brasileiros né?! Vai Brasil! (risos)

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DA: Você já passou algum tipo de dificuldade por apostar nos seus sonhos?

Salmos: Quem aposta nos sonhos tem que matar um leão a cada dia. As dificuldades aparecem né?! Sem elas o sucesso não teria o mesmo gosto.

Temos que persistir por que se você ama o que faz, vai fazer bem feito e vai dar certo! Sou muito feliz e tenho muita sorte de ganhar a vida com algo que me dá prazer. Acho que esse é o primeiro passo pra felicidade. Tatuagem e graffiti 💥💥.

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DA: Quais são os seus planos e objetivos futuros com o graffiti?

Salmos: Pintei bem pouco de 2005 até novembro de 2014. A partir dessa data, a chama acendeu de novo e está a milhão.

Bastante coisa positiva tá acontecendo, uma na sequência da outra. Tá da hora e espero que continue assim.

Também pretendo continuar pintando enquanto estiver me fazendo bem! Na verdade, o meu plano é fazer GRAFFITI POR TODA A VIDA. Zona leste somos nós powpowpow.

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Queremos agradecer demais ao Salmos pela entrevista e exaltar o quanto a gente é fã do trampo do cara.

Pra conhecer mais sobre os graffitis do mestre, segue ele lá no Facebook e no Instagram. E um salve para os caras do Beside Colors por disponibilizar as imagens.

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