Ilustração

“Outras Meninas”: a Relação com o Corpo Ilustrada

13 de novembro de 2015

Desde o meu estágio, sempre trabalhei com moda e beleza. No meu tempo livre, gosto de ler revistas e assistir filmes e seriados. Pra tornar a experiência mais enriquecedora, ainda sigo minhas atrizes e modelos preferidas nas redes sociais.

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Com isso, sou impactada praticamente o dia todo, todos os dias, por mulheres obviamente bonitas que se encaixam no tal “padrão de beleza estipulado pela mídia”. E mesmo que seu trabalho, sua rotina e seus gostos não sejam iguais aos meus, saiba que ninguém está imune. As revistas, a televisão e a internet estão aí e, a não ser que você more numa caverna, vai se deparar com elas em algum momento.

Então sim, este padrão de beleza existe e pode ser cruel, considerando que ele não representa a maioria das mulheres no tamanho, na cor, na forma e em mil outros aspectos. Mas ele é mais cruel ainda para quem não enxerga a beleza do seu próprio corpo. Pensando nisso, a ilustradora Manu Cunhas criou o projeto Outras Meninas. Por meio de descrições e fotos que recebe de mulheres anonimamente por e-mail, Manu faz um desenho para ilustrar cada depoimento, que em sua maioria fala sobre amor próprio. Estes dois abaixo foram os que mais gostei:

“O problema é que eu gosto do meu corpo, mesmo velho. Aí você se pergunta, como isso pode ser um problema?
Bom, as pessoas esperam que você seja mais ‘humilde’ na terceira idade, com um tamanho de short decente ou uma roupa de banho grande o suficiente para tampar as marcas dos anos em você. Esses tempos fui com minha filha na praia e ela ficou horrorizada por eu ir de biquíni, já que ela mesma estava de maiô, para esconder o corpo meio flácido da gravidez.
Agora devo ter vergonha de ser o que sou? Já tive 10 corpos diferentes para cada fase da vida e agradeço a todos eles por ter chego até aqui e ainda conseguir caminhar mais rápido que meu neto na praia.”
2“Levei 30 anos para aprender a me amar. TRINTA ANOS. É muito tempo perdido, até parar de lutar com a balança e fazer as pazes com meu corpo. O que me libertou foi o nascimento da minha filha. Parir aquela bebezinha e ver o exato momento que o corpo dela passou a funcionar por conta própria, me transformou. Ela ter aberto os olhos, se movido, puxado o ar e colocado o pulmãozinho para funcionar me mostrou como nosso corpo é perfeito e como eu quero ser um exemplo para ela. Não quero que ela cresça com uma mãe neurótica para se encaixar em padrões, uma mãe que não se aceita. Não é esse o legado que quero passar para ela. Quero que ela se ame, como ela for. E se algo a desagradar que ela mude por ela e não pelos outros. Perfeito. Mesmo com minhas estrias. Mesmo com minhas pelancas. Mesmo com minhas celulites. Esse é meu corpo e ele funciona como deveria: eu posso sentir, posso ouvir, cheirar, provar, caminhar. E mesmo se não pudesse fazer alguma dessas coisas, seria perfeito ainda assim. Pois haveria equilíbrio entre os outros sentidos, para aquele que não exercesse sua função. Não vou mais maltratá-lo com dietas malucas. Estou nutrindo-o de amor e felicidade.”

Com sensibilidade e lindas ilustrações combinadas ao depoimento sincero de diferentes mulheres com diferentes corpos, Manu nos inspira a nos amar como somos, com nossas curvas (ou com a falta delas), dobrinhas, quilos a mais ou a menos, entre tantas outras características que nos fazem únicas. Mais alguns exemplos:

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Além da causa nobre, quem está aprendendo a desenhar também pode usar os desenhos da Manu como referência para corpos femininos bonitos e naturais.
Você pode acompanhar o projeto pelo Tumblr, Facebook ou Instagram. Se quiser contribuir, envie sua foto e seu texto para o e-mail outrasmeninas@gmail.com

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