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Entrevista com o Horripilante Ilustrador Kiko Garcia

janeiro 12, 2017

Kiko Garcia vem se destacando demais com seus quadrinhos macabros na sua série Catacumba. Saiba da onde vem a inspiração do cara e muito mais numa entrevista exclusiva.

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Neste bate papo super divertido, Kiko nos contou um pouco das suas influências, sua relação com o skate, detalhes sobre alguns dos seus personagens e muitas outras coisas!

A entrevista tá imperdível e você confere tudo abaixo.

 

Dionisio Arte: Fala um pouco sobre você, como começou a desenhar e a fazer quadrinhos. 

Kiko Garcia: Desde criança desenhava de tudo… quadrinhos, personagens, monstros, a biologia dos animais, pichações que via nas ruas, coisas de skate, capinhas de fita K7 de bandas punk, videogames, tudo.

Os games tiveram um papel importante para mim! Eu curtia desenhar gangues como dos fliperamas beat’em up e criar storyboards de jogos. Bem mais tarde que isso, na época em que fazia faculdade, trabalhei num estúdio de ilustrações. Escrevi e desenhei diversos quadrinhos de turminhas infantis e até hoje continuo desenhando.

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DA: Da onde surgiu a ideia de reviver os quadrinhos de terror que fizeram tanto sucesso depois da ditadura?

Kiko Garcia: Quando comecei a publicar quadrinhos de humor de maneira independente, sempre dava um jeito de incluir algo de humor negro ou coisas monstruosas. Pensei em usar alguns contos que tinha escrito e passá-los para os quadrinhos… foi algo natural, e não tinha por que não fazer.

Como sempre gostei de escrever, tinha muitas coisas guardadas que talvez estivessem esperando o momento para serem exumadas (risos). Então, creio que não tive intenção em reviver nada, a não ser pelo apresentador da Catacumba, que já sobreviveu até a um tiro na testa.

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DA: Além dos quadrinhos Catacumba, quais são os outros projetos que você vem desenvolvendo?

Kiko Garcia: No momento estou com algumas coisas rolando, mas só posso contar mais quando tiver a certeza de que acontecerão. Senão, vai que escorrem para o ralo como a calda de chocolate do Psicose…

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DA: As ilustrações do Catacumba são extremamente complexas. Quanto tempo você demora para produzir cada edição e como é sua rotina? 

Kiko Garcia: A quantidade de páginas vem aumentando a cada volume e, por isso, as edições têm demorado mais. Para a última edição, foram aproximadamente 8 meses de trabalho.

A rotina pode variar, mas geralmente são feitos muitos desenhos até o final. Faço primeiro um esboço, depois blocagens, e diversos desenhos na mesa de luz até chegar naquele que será finalizado a tinta. Gosto de desenhar no papel, com lápis, brush pen, pincéis e canetas markers.

 

DA: Quais são suas referências tanto nos quadrinhos quanto em outras áreas?

Kiko Garcia: São várias, mas vou citar alguns poucos. Nos quadrinhos são Will Eisner, Robert Crumb, Francavilla, Flavio Colin, Shima, Laudo, Marcatti, Angeli, Luiz Gê, etc.

Já em outras áreas gosto de pinturas como Portinari e Goya, xilogravuras, grafifti como Bicicleta sem Freio e Broken Fingaz, livros de detetives, de contos diversos, como King, Kafka, Poe, Machado de Assis e Lima Barreto, além de música, filmes e séries… É muita coisa!

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DA: Qual é a sua ligação com o skate? Desde quando você anda? A estética old scholl skatepunk te levou artisticamente para esse caminho que você segue atualmente?

Kiko Garcia: Quando era moleque, me apaixonei pelo carrinho. Era a época do Grito da Rua, vale dizer!

No final dos anos 90, aprendi ollie, pular caixa, um flip aqui, outro ali (risos). Parei faz tempo, não dá mais. O skate integra a enorme lista de coisas que vou gostar até a morte, mas que nunca fui bom.

Quanto à estética, tem tudo a ver, sim! Artes dos anos 80, de bandas, camisetas e figurinhas brilhantes. E lembrei-me de mais uma coisa que é muito importante citar na minha formação: capas de filmes VHS. Tudo isso rendia horas de desenho!

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DA: De quais feiras você já participou? Qual mais gostou e qual mais se deu mal?

Kiko Garcia: A primeira foi o Ugra Zine Fest, de 2013. Conheci o casal Ugra numa feira um pouco antes, quando mostrei alguns gibis que tinha feito, e aí rolou o convite para expor. De lá para cá, participei de muitas outras, como FIQ, Santos Comic Expo, ABC Comic Con e a CCXP.

Gostei mais da CCXP por que é muito intensa. São vários dias, você tem um bom retorno do público, conversa com muita gente, sem parar. Mas tenho um grande carinho por todos os eventos que participo, pois todos estão trabalhando sério para que aconteçam. Claro que de vez em quando rola um evento que não dá muito certo, mas isso não é culpa de ninguém. No final, eu rogo uma maldição e vida que segue (risos).

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DA: Em que pé que está o cenário da cultura de quadrinhos alternativos?

Kiko Garcia: Eu acredito que esteja com uma boa produção. Toda hora vemos um projeto novo, pessoas criando, produzindo. E sempre acontecem feiras, eventos, oportunidades para você mostrar seu trabalho e formar um público.

Acho que o fundamental é gostar de fazer e produzir, focado. O resto vai acontecendo.

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DA: Você já teve alguma experiência real sobrenatural de terror trash na sua vida? Se sim, elas estão nas suas histórias ou você não as revela?

Kiko Garcia: Todo mundo sempre tem um causo de medo e comigo não é diferente. Já presenciei algumas situações estranhas, sim.

Em quase todas as histórias procuro incluir alguma coisa que tenha acontecido ou que alguém tenha me contado. Por exemplo, a faca da primeira história tem um apelido e é praticamente um personagem. Essa faquinha existia mesmo e era famosa na minha família!

Acho que esse lance pessoal ajuda a compor um roteiro. Meu avô nos levava ao cemitério e lá ia contando como os enterrados haviam morrido. Meu pai é escritor, então cresci envolto neste universo da criação de histórias. Foi daí que surgiu a sessão de cartas no final dos gibis.

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DA: Tem edições antigas da Cripta do Terror? Elas foram referência para você?

Kiko Garcia: Tenho algumas coisas que adquiri em sebos ou reedições. Na época dos quadrinhos de terror em bancas, eu nem ligava muito, pois queria mais ler sobre skate, games e ninjas (risos).

Diversas histórias em quadrinhos são referências para mim. No entanto, gosto de variar as inspirações quando trabalho com quadrinhos. Exemplificando: no painel, há um boneco dentro do armário e a luz que entra pelas frestas cria listras em seu rosto. Na hora de escrever e executar pensei em cinema. Como a cena seria de verdade diante dos olhos? Ou de repente em literatura, em como um escritor a descreveria.

No final, acredito que os quadrinhos sejam apenas o suporte. O importante é mexer com a imaginação do leitor.

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DA: Alguma mãe já clamou pelo seu filho após notar que o desaparecimento dele ocorreu após a aquisição da Catacumba? Se sim, tem notícia do paradeiro?

Kiko Garcia: Infelizmente isto ainda não aconteceu, o que seria um baita marketing! Brincadeiras macabras à parte, por enquanto algumas pessoas vêm falando comigo que têm gostado do trabalho. O que, por sua vez, me dá um apetite sanguinolento para continuar produzindo!

 

Para conhecer mais sobre o trabalho excepcional que o Kiko vem desenvolvendo, você pode comprar as edições da Catacumba AQUI.

Também não deixe de dar uma olhada nas redes sociais do cara. Ele tem Facebook, Instagram e Tumblr.

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